O pior anúncio da temporada

A propaganda é uma atividade solidária. Quando acertamos a mão, todos acertam. Acertam os publicitários envolvidos no processo de produção e veiculação do anúncio, acertam os executivos responsáveis pelo briefing, aprovação e orçamento do trabalho. Todos são vitoriosos e merecedores de crédito.

Quando o trabalho é ruim, todos são culpados. Culpados os publicitários que, por dever de ofício, devem alertar o anunciante para os erros que está incorrendo ao usar seu poder para impor determinados caminhos criativos, culpada a empresa anunciante que, prepotente, se considera imune à precariedade das suas idéias. Pois todos estão condenados.

O anúncio da AMIL é indescritível. Por mais que eu me esforce não conseguiria reproduzir a sucessão de horrores que desfilam na telinha da televisão. Um ator inexpressivo, um cenário incompreensível, uma trilha ridícula e um texto… bem o texto é digno de uma redação de primário.

É impossível entender o que os envolvidos na empreitada pretendiam com o anúncio, além de jogar pela lata do lixo o dinheiro da empresa. Me passou a idéia que, por se tratar de uma empresa de planos de saúde, o objetivo seria submeter o telespectador a uma síncope de qualquer ordem e, dessa forma, fazê-lo optar pelo serviço da AMIL.

Nessas situações sempre me pergunto: Se eles tratam a comunicação dessa forma, como tratarão o negócio deles, que é a nossa saúde? Melhor não arriscar.

Há muito acompanho a estratégia de comunicação (ou falta dela) desse anunciante que insiste em manter uma agência de propaganda dentro da sua estrutura funcional, uma house agency ou “agência da casa”, uma distorção do nosso mercado apoiada na economia burra de recursos destinados à propaganda. Uma agência interna economizaria os honorários a serem pagos para os prestadores de serviços, além de manter sob controle a comunicação.

Pois não acontece nem uma coisa, nem outra. Não há economia, nem há controle. O que costumamos presenciar nessas estruturas são publicitários atormentados por idéias impostas por seus patrões que, invariavelmente, duvidam da competência de seus empregados. Os resultados são anúncios como o da AMIL, o pior anúncio da temporada e um dos mais grosseiros exemplos da anti-publicidade.

 

fonte: Bloganda

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