Uma festa para ‘Meu Nome Não É Johnny’ e ‘Estômago’

16 abril, 2009

Se em 2008 todas as atenções se voltaram para o Capitão Nascimento de “Tropa de Elite”, este ano o Grande Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro, organizado pela Academia Brasileira de Cinema, ficou dividido entre um traficante de classe média e um rapaz simples com incríveis dotes culinários: “Meu Nome Não É Johnny” venceu em seis categorias e “Estômago“, em cinco.

Prêmios

Enquanto o blockbuster de Mauro Lima levou os troféus Grande Otelo de ator (Selton Mello), atriz coadjuvante (Julia Lemmertz), roteiro adaptado, trilha sonora original, som e montagem, o modesto “Estômago” venceu o de melhor filme pelo voto popular (pela internet e mensagem de celular) e pela escolha do júri, diretor (Marcos Jorge), ator coadjuvante (Babu Santana) e roteiro original. Ambos já colecionam prêmios no Brasil e no exterior.

Leandra Leal ganhou na categoria melhor atriz, por “Nome Próprio”; “Ensaio Sobre a Cegueira” ficou com quatro dos chamados prêmios técnicos, direção de fotografia, direção de arte, efeitos visuais e maquiagem. Selton Mello estava entre os mais emocionados. “A gente acha que não vai ficar nervoso, mas fica. É louco esse negócio de ‘melhor ator!’”.

Jurados

As escolhas foram feitas por produtores, cineastas e atores, num total de cerca de 300 membros da Academia, presidida pelo diretor Roberto Farias. A cerimônia foi realizada na casa de espetáculos Vivo Rio, e teve como apresentadores Daniel Filho e Marília Pêra. Eles sofreram com problemas no som (as vozes soaram sibiladas o tempo todo) e no teleprompter, que falhou seguidas vezes. Mas se saíram muito bem, fazendo graça e entretendo a plateia.

Discursos

A noite teve alguns discursos interessantes, como o de Wagner Tiso, responsável pela premiada trilha sonora de “Os Desafinados”. “Muitas pessoas fingem que não gostam de ganhar prêmio, mas eu adoro. Merecemos ou não?” Babu Santana lembrou a mãe: “Ela sempre quis que eu trouxesse um canudo de faculdade. Espero que isso aqui possa substituir!”, brincou, com o troféu na mão.

Helvécio Ratton, diretor de “Pequenas Histórias”, sagrado melhor longa-metragem infantil, falou da necessidade de se insistir na produção nacional do gênero. “Nossas crianças estão tão acostumadas a ver filme americano desde cedo, que os filmes brasileiros é que parecem estrangeiros para elas”.

Ausência

Leandra Leal não pôde ir porque estava em São Paulo, ensaiando a peça “Vestido de Noiva”, que estreia em maio com direção de Gabriel Villela. A mãe, a atriz Ângela Leal, tremia de orgulho ao falar por ela (o texto foi ditado pelo telefone): “Foi o cinema que me apresentou o que eu quero fazer até o fim da vida, no set de ‘A Ostra e O Vento’. Tinha eu 13 anos. O prêmio mostra que é possível fazer cinema autoral no Brasil sem grandes patrocínios”.

Finanças

Em plena discussão do novo modelo de Lei Rouanet, a questão financeira também foi mencionada pelo diretor de Estômago. “Esse filme é uma aventura que deu muito certo. É uma prova de que as lacunas, as dificuldades, podem ser preenchidas pela paixão da equipe”.

Fernando Meirelles, diretor de “Ensaio Sobre a Cegueira”, felicitou o colega ao fim da cerimônia e disse que é bom ver que “não é preciso ter milhões de dólares” para fazer um bom filme.

Homenagens

O cineasta Nelson Pereira dos Santos foi homenageado pelos colegas, por seus 44 anos de carreira. Imagens de filmes como “Rio 40 Graus”, “Rio Zona Norte”, “Memórias do Cárcere” e “Vidas Secas” foram mostradas e Nelson foi aplaudido de pé. “É o prêmio mais valioso que estou recebendo na minha vida de cinema, porque vem dos meus colegas”, agradeceu, com a voz embargada. “Estou emocionado. Ainda bem que só tenho 80 anos”.

A cerimônia ainda lembrou o centenário de Carmen Miranda (e sua contribuição para o cinema nacional nos anos 30) e os 50 anos da morte de Villa-Lobos (o primeiro compositor a criar uma trilha sonora original para um filme brasileiro), além de premiar o esforço da Laborcine, laboratório carioca que restaurou toda a obra de Nelson.

“O Mistério do Samba”, de Lula Buarque e Carolina Jabor, que tem entre seus produtores Marisa Monte, foi premiado como melhor documentário e melhor montagem de documentário. Marisa disse que vai entregar o troféu para a Velha Guarda da Portela, retratada no filme.

Os destaques

– MELHOR FILME (JÚRI E VOTO POPULAR): Estômago
– MELHOR ATOR: Selton  Mello ( Meu NoMe não É Johnny)
– MELHOR ATRIZ: Leandra Leal (NoMe Próprio)
– MELHOR ATOR COADJUVANTE: Babu Santana (Estômago)
– MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Julia Lemmertz (Meu NoMe não É Johnny)
– MELHOR DIRETOR: Marcos Jorge (Estômago)
– MELHOR DOCUMENTÁRIO: O Mistério do Samba
– MELHOR FOTOGRAFIA: Cesar Charlone (Ensaio sobre a cegueira)
– MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Tulé Peake (Ensaio sobre a cegueira)
– MELHOR TRILHA SONORA: Wagner Tiso (Os Desafinados)
– MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Mariza Leão e Mauro Lima (Meu NoMe não É Johnny)
– MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Estômago
– MELHOR FIGURINO: André Simonetti (Chega de Saudade)
– MELHOR LONGA ESTRANGEIRO: Vicky Cristina Barcelona

Assista aos filmes e entenda o porquê de tantos prêmios. Mas enquanto isso delicie-se com os trailers:

Fonte: Netsite


Selton Mello é Jean Charles nos cinemas

6 abril, 2009

Selton Mello interpreta o brasileiro que foi morto no metrô de Londres por policiais no ano de 2005. O filme que leva o nome de Jean Charles estréia nas telonas dia 26 de junho.

 

No elenco estará a prima de Jean, Patrícia Armani, que fará o papel dela mesma. Além dos já conhecidos atores Daniel Oliveira, Vanessa Giácomo e Luis Miranda.

 

O filme é produzido pelo cineasta britânico Stephen Frears (dos premiados “A Rainha” e “Ligações Perigosas”) e dirigido pelo brasileiro radicado em Londres,  Henrique Goldman (de “Princesa”).

 

Fonte: G1